quarta-feira, agosto 11, 2010

Há diferentes formas de sentir dor. E certas coisas doem, ainda que a sensação não se pareça com a dor. E dói ser tão profunda às vezes. Incomoda o fato de ser tão profunda a ponto de ninguém conseguir ver o que você relamente sente. Você tem uma ânsia de colocar tudo pra fora e fala, fala, fala, fala... E é sempre ouvido, mas poucas vezes compreendido, ou interrogado. Mas para você, a sua profundidade é superficial... Está mais do que óbvia, incipiente, saindo pelos poros. Mas e aí? Ninguém vê... Ninguém capta a sua peculiar sensibilidade. Chega a parecer choque cultural, tamanha a diferença de interpretações. E você pensa no porquê das pessoas terem nascido com essa necessidade insuprimível de serem ouvidas ou compreendidas. Como conceber, depois de tantos anos, que cada indivíduo é único e que você está fadado a viver sozinho pra sempre? A solidão coletiva é inerente à condição humana e você só se dá conta disso quando a percebe como vertente principal dos seus dias. Dessa forma, tanto faz estar em em um monastério, como estar no centro de São Paulo: você estará sempre sozinho na sua profundidade impenetrável. E nessa hora, você vai desejar mais que tudo ter nascido como um belo pé de uma planta qualquer.

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