terça-feira, novembro 20, 2012

Voltando porque agora dói. Incrível como só há a necessidade do desabafo quando há dor. Definitivamente, como eu havia escrito há um tempo, estou "adolescendo" com a idade chegando. Puta que pariu! Eu tinha a sensação de que tudo estava bem. Mas ela era tão sensível, tão frágil. E eu sabia disso. E eu precisava aproveitar. Se aproveitei, não sei. Só sei que não lembro, porque ela se foi. E eu a queria de volta, a sensação. Queria poder enterrar essa tristeza, essa vontade "de não ter mais vontade", parafraseando. Eu tinha, inclusive, a necessidade de falar sobre ela, numa tentativa de que ela ficasse, permanecesse, mas eu sabia... Sempre soube que era efêmero. Não há dias mais, não há tempo, não há. Estou num conforto desconfortável de ser expectadora da minha vida... Conforto porque não me esforço. Desconforto porque sou vítima. Simplesmente não aguento mais a sensação de duas pessoas morando em mim. E, curiosamente, a que eu menos gosto (então meu "eu verdadeiro" seria uma terceira pessoa?) sempre sobressai. Sem respostas. Sem nada. Então, sem dúvidas. Pra que respostas?

sábado, fevereiro 26, 2011

Espero que um dia eu não perca toda a minha inspiração. Espero que um dia, as coisas ainda saiam da minha cabeça e venham povoar o papel. Tem sido um tanto complicado admitir que perdi a forma pra escrever. Bom, qual forma? A minha forma de ser sincera e honesta comigo mesma. E assim, conseguir colocar pra fora o que, quando aqui dentro, tanto me aflige e me angustia. Às vezes não me entendo muito bem. Espero muito mais de mim do que eu posso me dar. E quero atribuir um mecanismo complexo a tudo. Cheio de estruturas e pensamentos ramificados. Quando no fundo, tudo pode ser tão infinitamente mais simples! E mais feliz... Aliás, quando fui feliz? Não me lembro ao certo dado que ultimamente tenho vivido de momentos felizes. Nunca algo intenso e contínuo. Sempre fulgás e passageiro. E eu continuo querendo encontrar esse algo maior aqui dentro. Algo que satisfaça minha ânsia por saber. Independente do objeto de conhecimento. Preciso saber, só isso! Não sei o que quero saber, talvez eu queira respostas para o que me aflige, mas eu preciso saber. Talvez a dinâmica social me explique, talvez a individual. Mas eu quero, eu preciso saber.

sábado, janeiro 15, 2011

Escrevo porque? Nem eu sei... Deve ser uma tentativa alucinada de esvaziar o que por dentro me corrói. Ainda que eu saiba que não cura, ameniza. Como eu queria me libertar desses fantasmas, dessas lembranças, desses vícios, desse inconformismo. Vou ficando mais velha e vejo que a minha percepção da vida só piora. Será o preço da maturidade? Mas qual maturidade? A compreensão da incapacidade infinita que temos? Ah, não sei... Como eu queria voltar atrás. Fazer tanta coisa diferente, me livrar dessa agonia, desse peso. Ser outra pessoa que não eu. Será que fico mais adolescente ao ficar mais velha? Quanto drama barato! Quantas palavras vulgares! E não consigo ser diferente... É uma tristeza... Uma vontade de sair pelo mundo até encontrar alguém igual a mim. E que teve coragem de tentar ser diferente. Mas meus medos são impublicáveis. Meus arrependimentos, indizíveis.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Assim, assim.

Libido
Sem meias palavras
Só sentir
Vontade
Voar
Voando
Voei
Caí
Desejo
Chegando
Chegou
Saí
Torpor
Se foi.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Mundo mágico e cia.

Solte-me.
Ainda que eu não o queira soltar, largue-me.
Para longe de mim, desejos infundados
Criações venenosas de uma mente sem pudor
Saiam, ânsias pelo poder.
Buscando o novo
Desconhecido
O novo desconhecido.
Que suma o querer
Todo tipo de vontade
Sim, todo tipo
Não me disponho a limitar as que restaram
Não quero mais querer.
Não suporto mais renegar os meus desejos. E em prol do que?
Uma gota de sanidade que me acompanha
Não quero a gota
Quero litros
Quero a ausência do sentir.
O torpor da mente
A ilusão dos sonhos
A euforia de um encontro
Não quero ser o seu alívio
Quero ser a sua realidade
Não quero me esconder nas sombras
Quero ser vista e notada
Não quero nada abaixo do que o mais alto patamar
A compreensão? Não... Só a minha me basta
Quero a minha
Solte-me e devolva-a
Por favor.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Ego.

A sede do desconhecido desnudava a alma. Bem como a vontade de parecer mais do que realmente era. Não que fosse vontade, mas necessidade. Sim, pois é necessário elevar-se para sentir-se viva. Uma agonia daquelas de não caber onde se está. O anseio pela cultivada liberdade sem poder tocá-la. Vontade de toque, mãos, cheiro, sexo. Vontade de um puta orgasmo intelectual. Fusão das coisas, dos sentidos. É mesmo assim, não precisa explicar. Usaria conceitos vazios pra explicar o que as palavras não contém? Não existe limite porque ele deriva dos sonhos. Os seus que não são os meus. Existe a vontade e o desejo, são esses os verdadeiros deuses. Tampouco a lógica, criação desvirtuada de seus propósitos, terá espaço quando dos espasmos. Sede de dominação: Ativa ou passiva. Desde que passivamente consentida. Incalculável uma dominação passiva, diriam. Não. E não há quem pense que domina? Fantasias, sonhos, miragens. E o sentido é meu, de quem mais seria?

quarta-feira, agosto 11, 2010

Há diferentes formas de sentir dor. E certas coisas doem, ainda que a sensação não se pareça com a dor. E dói ser tão profunda às vezes. Incomoda o fato de ser tão profunda a ponto de ninguém conseguir ver o que você relamente sente. Você tem uma ânsia de colocar tudo pra fora e fala, fala, fala, fala... E é sempre ouvido, mas poucas vezes compreendido, ou interrogado. Mas para você, a sua profundidade é superficial... Está mais do que óbvia, incipiente, saindo pelos poros. Mas e aí? Ninguém vê... Ninguém capta a sua peculiar sensibilidade. Chega a parecer choque cultural, tamanha a diferença de interpretações. E você pensa no porquê das pessoas terem nascido com essa necessidade insuprimível de serem ouvidas ou compreendidas. Como conceber, depois de tantos anos, que cada indivíduo é único e que você está fadado a viver sozinho pra sempre? A solidão coletiva é inerente à condição humana e você só se dá conta disso quando a percebe como vertente principal dos seus dias. Dessa forma, tanto faz estar em em um monastério, como estar no centro de São Paulo: você estará sempre sozinho na sua profundidade impenetrável. E nessa hora, você vai desejar mais que tudo ter nascido como um belo pé de uma planta qualquer.