quarta-feira, dezembro 30, 2009

Às vezes eu queria fugir. Sinto um aperto tão forte no peito que me parece real, ainda que eu olhe pra baixo e não veja nada além da minha roupa. É uma vontade de sair a esmos, sem horário, sem satisfações, sem tempo, sem relógio, sem volta.. Sem volta.

E aí vem uma vontade de chorar com aquela sensação de nó na garganta. Onde foi mesmo que deixei meus chinelos? Mas nem isso eu sei, porque as coisas importantes demais se tornaram triviais e eu não sei mais atrás do que eu devo correr. Ou mesmo o que devo fazer.

Serão as amizades, será o amor, será a família? Nada converge. E eu me canso de estar num redemoinho constante, mas ainda assim me sobra vontade de viver.

São planos, são metas, são sonhos.. Já estive mais otimista pra um início de ano, mas agora faltam forças. E não faltam obrigações e deveres. Esses últimos sobram aos montes. Eu só queria poder viver de forma mais autônoma e livre. E acho que estou ficando velha pra correr atrás de tudo isso. Já corri e tentei tanto!! E parece ser tudo inútil.. Espero que o espírito de novo ano me pegue à força e me faça ver que, apesar de tudo, não devemos desanimar.

Feliz ano novo! (Isso sim faz sentido!)

sexta-feira, dezembro 25, 2009

O que é, de fato, um feliz natal?
Estou de saco cheio de baboseiras sem sentido concreto!

Puta abstração maldita!!

quarta-feira, agosto 12, 2009

Escrevi uma carta e enviei. Aliás, somente escrevi.
Na hora de enviar, subiu aquele frio na barriga e minhas pernas tremeram de leve. Hesitei e ainda hesito até agora, com o papel suado e amassado em minhas mãos. É que era um bilhete tão bonito que eu não sabia se seria compreendido! Não, não era propriamente uma carta porque as palavras vieram muito abruptamente e não tive tempo de organizá-las de modo que falassem por mim com serenidade. Então eu ainda amassava aquele papel com a maior dúvida que poderia existir e a imagem de um possível leitor a brincar no meu pensamento. Decido arquivar por mais algum tempo aquelas linhas mal escritas. Bom, na verdade não chegava a ser um bilhete: eram umas linhas escritas a esmos, advindas de tanta emoção quanto a que coloco agora, aqui, nesse parágrafo que apresento. E meus escritos levianos teimavam em percorrer o papel e não se ajeitavam, por mais força que eu fizesse. Então eu suspirei e percebi que não poderia continuar a segurar com força aquela frase em minhas mãos sem conseguir atribuir-lhe a devida coerência. A frase que nem mesmo tinha um destinatário. É que era uma frase mesmo. Espaçada, mal construída, sem verbos. Adjetivos também não tinha. Tinha a agonia de quem quer falar e não consegue. O medo de quem quer escrever e não se aventura. A insegurança de quem quer avançar e não ousa. Por isso a minha frase que não tinha palavras não poderia ser apreciada por qualquer pessoa. Não por quem se prende às palavras. Onde há sensações, não podem haver palavras...