Sou coruja com alguns dos meus textos e esse é um deles! Meio antigo, mas vou postar novamente porque ando sem criatividade. Larissa à espera de uma inspiração...
Chovia, trovejava.. Ela apalpava a terra molhada.Chorava, rangia os dentes e ia passando a terra por todo o seu rosto e aos poucos ia sentindo aquele gosto de origem da vida, um gosto que a fazia querer correr e que retirava dela toda a sua essência adormecida.Sentia o gosto de cada gota da chuva e era como se uma corrente elétrica percorresse todo o seu corpo.. Um raio..Trazendo vida, esperança! E o gosto de terra era ainda o mesmo. Agora havia terra, chuva e lágrimas. Momentos difíceis ela havia passado e sentindo cada veia implorando por um coração que fraco batia ela sorvia aquele alimento puro, saudável: Sua fonte de vida.Ah, a terra. Rastejando e se livrando de qualquer amarra ela ia rumo à vitória que nem mesmo sabia onde se encontrava, mas ela sabia que não podia andar em vão.A terra impelia seus músculos a se movimentarem. Ninguém poderia detê-la. Mesmo imunda, caída, sofrida, ela seguia firme.Aquela floresta densa não era mais tão estúpida quanto parecia. Havia um sentido pelo qual ela estava ali disposta a continuar. E não queria parar! Por quantas vezes ela não caiu? Por ironia, agora ela só conseguia se movimentar com a ajuda do próprio chão, da terra! Esqueçendo tudo o que viveu ela se atracou a um pedaço de raiz proeminente e fez dali sua força. Arranhou-se tentando subir.Qual o pecado em tentar ver o mundo de cima alguma vez na vida? Do fundo ela passou ao chão, e queria o céu. Não! Mentira! O chão a fez quem ela é! Ela não precisa do céu.. Está bem na lama, comendo terra e sugando uma espécie de energia fantasmagórica de uma velha raiz.O chão a fazia bem e nada mais.Seu corpo já se confundia com a cor do chão e ela era como que uma mera peça de um cenário escuro e sombrio que havia escolhido para ser o palco de sua vida. Não importa como ou com quem. Ela tinha a terra e estava bem.Por mais que tentasse se levantar, seus impulsos a puxavam de novo. Ela estava ali. Criaria raízes talvez. Ficaria louca talvez. Ou quem sabe descobriria um sentido nunca antes experimentado. Sentir-se natureza.Sentir-se livre estando acorrentada à sua fonte de energia vital... Raízes... Terra!
segunda-feira, dezembro 29, 2008
quinta-feira, dezembro 11, 2008
O texto da minha vida poderia ser algo que encantasse a todos e me rendesse apreços e elogios. O texto da minha vida poderia ser algo do tipo, mas desde que ele acrescentasse tão mais a mim quanto acrescentou aos outros. É preciso que eu escreva para me fazer conhecer. E quando eu escrevo e leio aquelas palavras anos depois, eu percebo que minha sintaxe e colocação mudaram, mas nunca as minhas idéias. Não é difícil perceber que tudo está intimamente ligado. Talvez porque a bagunça seja minha, os escritos são meus.
E eu vejo minhas necessidades flutuando entre os anéis dos tempos: talvez elas mudem, mas não perdem a essência. Meu querer varia entre dois pontos e todo o resto advém da reta que os une. Ando pensando que minha vida se resume em cubrir pontilhados...
E eu vejo minhas necessidades flutuando entre os anéis dos tempos: talvez elas mudem, mas não perdem a essência. Meu querer varia entre dois pontos e todo o resto advém da reta que os une. Ando pensando que minha vida se resume em cubrir pontilhados...
Critiquei o tom das paredes e disse que eu preferia um tom pastel. Sabe-se lá porque eu disse o bendito "tom pastel". Aí me envergonhei porque descobri não saber ao certo a cor desse tom. Fiquei imaginando aqueles pastéis fritos da rodoviária. Dois pastéis e um caldo de cana por dois reais. Aquela imagem de coisa gordurosa e pingando óleo veio a minha cabeça e me questionei se um tom oleoso naquela parede ficaria realmente bom. E foi exatamente na busca da definição de tom pastel que eu me perdi. Pra mim, foi difícil assumir que eu começara essa conversa porque queria me sentir superior a eles. Eu queria impressioná-los falando de algo que eu supunha desconhecido e quem acabou caindo num emaranhado de dúvida em relação a paredes gordurosas fui eu. Fiquei muito envergonhada ao constatar essa manifestação de soberba minha. Fiquei tão envergonhada que, em voz baixa, disse que um verde-água ficaria ideal naquelas paredes...
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