Escrevi uma carta e enviei. Aliás, somente escrevi.
Na hora de enviar, subiu aquele frio na barriga e minhas pernas tremeram de leve. Hesitei e ainda hesito até agora, com o papel suado e amassado em minhas mãos. É que era um bilhete tão bonito que eu não sabia se seria compreendido! Não, não era propriamente uma carta porque as palavras vieram muito abruptamente e não tive tempo de organizá-las de modo que falassem por mim com serenidade. Então eu ainda amassava aquele papel com a maior dúvida que poderia existir e a imagem de um possível leitor a brincar no meu pensamento. Decido arquivar por mais algum tempo aquelas linhas mal escritas. Bom, na verdade não chegava a ser um bilhete: eram umas linhas escritas a esmos, advindas de tanta emoção quanto a que coloco agora, aqui, nesse parágrafo que apresento. E meus escritos levianos teimavam em percorrer o papel e não se ajeitavam, por mais força que eu fizesse. Então eu suspirei e percebi que não poderia continuar a segurar com força aquela frase em minhas mãos sem conseguir atribuir-lhe a devida coerência. A frase que nem mesmo tinha um destinatário. É que era uma frase mesmo. Espaçada, mal construída, sem verbos. Adjetivos também não tinha. Tinha a agonia de quem quer falar e não consegue. O medo de quem quer escrever e não se aventura. A insegurança de quem quer avançar e não ousa. Por isso a minha frase que não tinha palavras não poderia ser apreciada por qualquer pessoa. Não por quem se prende às palavras. Onde há sensações, não podem haver palavras...
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