Chovia, trovejava.. Ela apalpava a terra molhada.
Chorava, rangia os dentes e ia passando a terra por todo o seu rosto e aos poucos ia sentindo aquele gosto de origem da vida, um gosto que a fazia querer correr e que retirava dela toda a sua essência adormecida.
Sentia o gosto de cada gota da chuva e era como se uma corrente elétrica percorresse todo o seu corpo.. Um raio..
Trazendo vida, esperança! E o gosto de terra era ainda o mesmo. Agora havia terra, chuva e lágrimas. Momentos difíceis ela havia passado e sentindo cada veia implorando por um coração que fraco batia ela sorvia aquele alimento puro, saudável: Sua fonte de vida.
Ah, a terra. Rastejando e se livrando de qualquer amarra ela ia rumo à vitória que nem mesmo sabia onde se encontrava, mas ela sabia que não podia andar em vão.
A terra impelia seus músculos a se movimentarem. Ninguém poderia detê-la. Mesmo imunda, caída, sofrida, ela seguia firme.
Aquela floresta densa não era mais tão estúpida quanto parecia. Havia um sentido pelo qual ela estava ali disposta a continuar. E não queria parar! Por quantas vezes ela não caiu? Por ironia, agora ela só conseguia se movimentar com a ajuda do próprio chão, da terra! Esqueçendo tudo o que viveu ela se atracou a um pedaço de raiz proeminente e fez dali sua força. Arranhou-se tentando subir.
Qual o pecado em tentar ver o mundo de cima alguma vez na vida? Do fundo ela passou ao chão, e queria o céu. Não! Mentira! O chão a fez quem ela é! Ela não precisa do céu.. Está bem na lama, comendo terra e sugando uma espécie de energia fantasmagórica de uma velha raiz.
O chão a fazia bem e nada mais.
Seu corpo já se confundia com a cor do chão e ela era como que uma mera peça de um cenário escuro e sombrio que havia escolhido para ser o palco de sua vida. Não importa como ou com quem. Ela tinha a terra e estava bem.
Por mais que tentasse se levantar, seus impulsos a puxavam de novo. Ela estava ali. Criaria raízes talvez. Ficaria louca talvez. Ou quem sabe descobriria um sentido nunca antes experimentado. Sentir-se natureza.
Sentir-se livre estando acorrentada à sua fonte de energia vital... Raízes... Terra!
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3 comentários:
Porra... ficou foda
Quem é o Gustavo?
Amiiiiiiga!!Tudo bem?
Que massa!Você deu uma reformada no seu blog!Ficou igual ao meu né?Bem melhor assim porque aquele outro tinha um aspecto meio nefasto.
Ô minha filha, com esse texto excelente eu só tenho a dizer que acho altamente recomendável que quando concluir o seu curso você se atire em Letras! Mesmo que Estatística, ou qualquer outro curso do gênero, fosse A profissão com promessa de vencimentos milionários, nada pode superar um DOM!Ainda mais quando ele é potencializado com uma formação superior. Bom, amiga, vou me despedindo pois você sabe que a minha situação não anda lá essas coisas. Deixa eu voltar p/ o meu suplício e terminar de estudar. Adoro-te!
Bjuuux
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